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Arte efémera de ontem e de hoje

Entre outras explicações, a arte efémera pode-se definir como a arte restrita no tempo. A sua longevidade pode durar apenas dias, semanas, ou alguns meses, porque traduz-se em manifestações artísticas concebidas para circunstâncias particulares, balizadas temporalmente. Depois de ocorrido o evento para o qual foi realizada, a arte efémera é abandonada ou destruída. Perde o sentido da existência.
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Nos séculos XVI a XVIII certas formas de arte efémera estavam associadas à ritualização do sagrado e à cerimonialização do poder real absoluto. Determinadas procissões religiosas, entradas régias e casamentos reais eram acontecimentos em que, através da arte efémera, a sociedade mostrava a devoção ao divino e a alegria da vassalagem ao rei. Para manifestação pública dessa devoção e alegria construiam-se monumentos artísticos, destacando-se os arcos triunfais e os carros alegóricos. Cada corpo social, desde agremiações sócio-profissionais, comunidades estrangeiras, confrarias, irmandades, recolhiam verbas para a edificação da monumentalidade fugaz, manifestando assim todo a seu poder simbólico no quadro social. Edificados em madeira entalhada, ricamente adornados com pinturas, telas, tecidos, os arcos do triunfo marcavam a paisagem urbana. A instituição detentora do arco triunfal maior seria certamente a mais rica e poderosa, sendo-lhe importante manifestar esse facto perante o sagrado e o poder absoluto. A entrada régia de Filipe II em Lisboa (1619) ou o casamento de D. Afonso VI (1666) foram duas ocasiões em que a arte efémera barroca ficou bem documentada em imagem. No primeiro caso, os arcos triunfais dos mercadores de Lisboa, dos ourives e lapidários, dos moedeiros, dos ourives de prata, dos familiares do Santo Ofício, dos alfaiates e dos pintores, ficaram registados em imagem na obra de J. Baptista Lavanha Viagem da Catholica Real Magestade del Rey Filipe II Nosso Senhor ao Reyno de Portugal, impressa em 1622, dos quais reproduzimos aqui dois.
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Arco triumfal erigido pela classe dos mercadores de Lisboa em 1619, aquando da entrada régia de Filipe II em Lisboa. Fonte: ALVES, Ana Maria - As Entradas Régias Portuguesas. Lisboa: Livros Horinte, [s.d.] imagem 4 .

Arco triumfal erigido pelos familiares do Santo Ofício em 1619 por ocasião da entrada de Filipe II em Lisboa. Fonte: ALVES, Ana Maria - As Entradas Régias Portuguesas. Lisboa: Livros Horizonte, [s.d.] imagem 8. .

Hoje, a ritualização do sagrado perdeu visibilidade pública, no contexto de um processo paulatino de secularização da sociedade contemporânea. Simultâneamente o poder temporal esbateu a cerimonialização na via pública. Contudo a arte efémera permanece sustentada por outros ambientes sociais, simbólicos e festivos. O Carnaval de Torres Vedras é um evento onde a arte efémera desempenha um papel relevante num contexto que pretende ser cénico e de projecção nacional. Os monumentos nas ruas e praças da cidade, alusivos aos temas carnavalescos, fazem lembrar, com linguagens plásticas distintas, tempos passados.

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Monumento erigido ao tema do Carnaval de Torres Vedras de 2008, a Banda Desenhada. Fonte: Fórum de Torres Vedras em http://209.200.102.20/forum/topic.asp?TOPIC_ID=1553 (acedido em 30/01/2008), autoria de VodKA7