A dança contemporânea em Portugal (1974 - 2004)

O 25 de Abril de 1974 veio encontrar a dança contemporânea portuguesa num estágio de desenvolvimento bastante incipiente. A única estrutura de dança consolidada era o Grupo Gulbenkian de Bailado (Ballet Gulbenkian), sob a direcção do jugoslavo Miko Sparenbeck. Após o período revolucionário que se seguiu ao 25 de Abril, o Ballet Gulbenkian procura uma nova orientação artística. Nesse sentido a Fundação Calouste Gulbenkian convida Jorge Salavisa em 1977 para dirigir a companhia. Salavisa, que foi discípulo de Anna Máscolo e tinha feito o seu percurso na Companhia de Marquês de Cuevas e depois no New London Ballet, introduz na companhia uma mudança que levará à consolidação do reportório, a uma nova dinâmica e ao estabelecimento de uma profissionalização de referência para as décadas seguintes. O Ballet Gulbenkian constituiu um espaço de experimentação e formação de bailarinos e coreógrafos que formariam a primeira geração da designada Nova Dança Portuguesa (NDP): Olga Roriz, Vera Mantero, Margarida Bettencourt, Paulo Ribeiro, João Fiadeiro, Rui Nunes, Rui Horta, entre outros.
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Também em 1977 nasce a Companhia Nacional de Bailado (CNB), dirigida por Armando Jorge, ex-bailarino nos Grands Ballets Canadiens e no Ballet do XXéme Siécle de Maurice Béjart. A CNB, mais vocacionada para a ballet clássico, viu-se obrigada a contratar bailarinos estrangeiros, sintoma da falta de formação e da qualidade técnica dos bailarinos nacionais. A CNB evoluia entre um reportório clássico e moderno, entre Petipa e José Limón, cuja vinda a Portugal em 1977 deixaria uma forte impressão entre os profissionais de dança e no público.
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I AM HERE (2003) de João Fiadeiro. Foto de Patrícia Almeida (copyriht) RE.AL. (fonte: Agenda Cultural da Câmara Municipal de Lisboa, n.º 209 (Abril de 2008), p. 15
Na década de 80 muitos coreógrafos partem para a Europa e Estados Unidos, objectivando o desenvolvimento da formação, a aprendizagem de novas técnicas e contacto com novas estéticas. Em Portugal um grupo de bailarinos e coreógrafos experimentam linguagens autónomas novas, num movimente ao princípio discreto de que fizeram parte Elisa Worm, Paula Massano, e Madalena Victorino, mas que adquiriu repercussão nos anos seguintes. Os anos 80 assistiriam ainda a um acontecimento de relevância na dança contemporânea, especialmente na prespectiva da formação de público. Em 1985 Madalena Perdigão cria o serviço ACARTE que em 1987 inicia os encontros ACARTE por onde passam grandes nomes da dança internacional, que vão desde Pina Baush a Win Vandekeybus, Suzanne Linke, Anne Teresa Kersmaeker, e outros.
Nos anos 90 deu-se a explosão da nova dança, após um período formativo na década antecedente. Nestes anos regressaram os bailarinos e coreógrafos "estrangeirados" que tinham ido lá aprender novos processos de produzir dança. Com os novos saberes adquiridos, trouxeram a reflexão crítica, a discussão e debate, enfim, uma nova cultura coreográfica, mais transversal e interdisciplinar. Vários eventos assinalam o novo ciclo da dança contemporânea portuguesa como a Europália 91, uma mostra internacional dedicada a Portugal, onde alguns dos novos valores representaram Portugal, lançado assim a nova geração que mais tarde, na Lisboa 94 Capital Europeia da Cultura, se viria a confirmar.
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Ainda na década de 90 instituiram-se medidas que consolidaram o movimento: o estatuto do bailarino e do coreógrafo, o enquadramento legislativo da actividade, a atribuição de subsídios e apoios para a criação no âmbito da dança e a construção de equipamentos culturais que apoiaram a dança contemporânea: Fundação de Serralves, Culturgest e o CCB.
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Contudo, muitos problemas persistiram, a ponto de comprometerem o movimento de renovaçaõ da dança contemporânea. Não se criaram estruturas de produção continuada e de distribuição nacional e internacional, e fez-se sentir a ausencia de uma política para a dança desde 2001. Mesmo assim vão aparecendo novas entidades, como a REDE - Associação de Estruturas para a Dança Contêmporânea, que congrega mas de 20 companhias de dança, visando a reorganização dos agentes da dança para fazerem façe às vissicitudes, entre elas a falta de diálogo com o Estado.
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Bibliografia:
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CINTRA, Rui - Portugal Dança in Agenda Cultural da Câmara Municipal de Lisboa, n.º 209 (Abril de 2008). [Síntese do artigo na p. 10 -17]
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Para saber mais:
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SASPORTES, José; RIBEIRO, António Pinto - História da Dança. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1991
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2 comentários:

palladinos disse...

Olá Amigo,assim como vc eu sou mais um que senti fascinio pela história.

Gostária de saber se vc estar interessado em fazer uma parceria de link??

se tiver da uma olhada no meu blog.

wwww.palladinos.blogspot.com

o meu email:alan_paulo@hotmail.com

Anónimo disse...

ver ainda in "Jornal de Letras", artigo "A oeste, tudo de novo" / Tema "Nova Dança Portuguesa", Janeiro 1997.

Link >> http://issuu.com/phnet/docs/name596b44