Forte de S. Vicente - o moinho do reduto 22

As Linhas de Torres Vedras são um conjunto de 152 pontos fortificados ao longo de duas linhas imaginárias paralelas entre o rio Tejo e o oceano Atlântico. Estes pontos fortificados, designados por fortes, estavam equipados com artilharia que cobria a área envolvente em algumas centenas de metros, tendo por função barrar o avanço do exército francês até Lisboa. Por isso as maiores obras defensivas situavam-se nos pontos elevados que cobriam as principais vias de acesso a Lisboa.


Torres Vedras era na altura um importante nó viário de acesso a Lisboa. Para a proteger construíram-se vários redutos no topo dos montes circundantes. No monte de S. Vicente, a norte da vila, a junção dos redutos n.º 20, 21 e 22 formaram o forte de S. Vicente, um dos maiores e principais fortes das Linhas de Torres Vedras, com capacidade para 26 bocas de fogo e para uma guarnição de 1720 soldados. O monte de S. Vicente já estava ocupado antes da chegada dos engenheiros militares, conforme atestam a pequena ermida medieval de S. Vicente, integrada e os três moinhos de vento.


O moinho integrado no reduto n.º 22 (reduto poente) era um prazo foreiro da câmara municipal de Torres Vedras, ou seja, era um bem (prazo) que pagava uma taxa anual (foro) à câmara. Pela consulta dos livros dos foros do concelho é possível afirmar que este moinho já existia desde 1754, pertencendo desde essa data até 1821 a dois moleiros, nomeadamente a José da Silva (filho do ferro velho e por isso também chamado de José da Silva Ferro Velho) e a seu filho Sebastião Isidoro que o adquiriu em 1800. Pagava anualmente o foro de 150 reis até 1821, ano em que por ordem do Juiz de fora ficou isento desse pagamento por estar dentro do forte de S. Vicente. Aí, tal como os outros, foi transformado em paiol.



Moínho situado no reduto 22 do forte de S. Vicente já existia pelo menos desde 1754 e em 1810 foi transformado em paiol.


O moleiro Sebastião Isidoro também possuía uma pequena casa (avaliada em 60 reis) usada em 1810 como armazém de ferramentas do reduto n.º 22 pelo tenente engenheiro inglês Rild. Sondagens arqueológicas realizadas recentemente na casa do guarda do forte expuseram paredes pré existentes à construção da casa. Serão as paredes da dita pequena casa do moleiro Sebastião Isidoro?



Vestígios da casa do moleiro Sebastião Isidoro que em 1810 foi convertida em armazém de ferramentas?


Fontes:

Arquivo Municipal de Torres Vedras (AMTV) – Livro n.º 8 dos foros do concelho (1750)

AMTV – Caixa dos Foros das Vintenas (1737 – 1810): vintena de Torres Vedras (anos 1782; 1789/90; 1799; 1802)

AMTV – Caixa dos Foros das Vintenas (1809 – 1830): vintena de Torres Vedras (anos 1809, 1821)

AMTV – Livro de receita dos laudémios n.º 2 (1785 – 1816)

Arquivo Histórico Militar: AHM – DIV 1-16-04-6-22_m34 (acessível on-line)

Arquivo Histórico Militar: AHM – DIV 1-16-04-6-22_m35 (acessível on-line)

4 comentários:

ed hardy chothes disse...

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Fernanda disse...

Impressiona-me um pouco a pouca conservacao dos moinhos, algo tao importante na sociedade portuguesa

Isabela disse...

Gosteimuito deste blogue!

Parabens pelo trabalho!

Abraço,
Isabela
http://hojeempauta1.blogspot.com

LEANDRO disse...

Saudações, gostei muito de seu trabalho em suas postagens, também possuo um blog voltado para a História: http://www.construindohistoriahoje.blogspot.com/

Valeu,
Leandro CHH